segunda-feira, 20 de abril de 2015

Está tudo a voltar ao início

Quando a vontade de estar um com o outro era mais forte do que sei lá o quê, as séries e os filmes já não tinham a importância que tinham e as músicas iam todas parar ao mesmo sítio.

Quando não tínhamos olhos para mais ninguém e nem sequer percebíamos que os olhos dos outros estavam postos em nós.

Quando relativizava os defeitos porque as qualidades nos deixavam na pontinha dos pés e com 'pele de galinha'.

Está tudo a voltar ao início. E sabe tão bem... É desta.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Gosto das caricaturas da vida

São sempre mais interessantes do que ela própria. Umas vezes dão vontade de rir, outras de chorar, mas pelo menos dão vontade de fazer alguma coisa.

Os amigos têm mais graça, os pais são mais histriónicos, os avós mais amorosos, os irmãos mais ridículos, os namorados mais sensíveis, os amantes mais apaixonados.

Pelo menos são todos mais qualquer coisa.

E antes mais do que menos.


Vou ali enfiar-me num sketch e já venho.

terça-feira, 24 de março de 2015

Pequenos prazeres da vida

- um jantar delicioso;
- comprar um vestido novo;
- flores novas no quarto;
- uma série de televisão viciante;
- bom sexo;
- surpresas simples;
- uma ligação inexplicável;
- mimos durante a noite;
- um bom filme;
- uma boa música;
- um bom livro;
- uma ida à praia;
- rever pessoas;
- gargalhadas;
- diversão no trabalho;
- um comentário no Facebook;
- sentir prazer.

segunda-feira, 16 de março de 2015

E se os outros fossem parvos?

Aplaudiam só para fazerem barulho.

Gritavam só para parecerem mais fortes.

Grunhiam só para provocar.

Corriam só para mostrar que conseguem.

Riam só para mostrar que percebem.

Falavam só para mostrar que existem.

domingo, 8 de março de 2015

Sou uma mulher...

- mandona;
- refilona;
- vaidosa;
- orgulhosa;
- teimosa;
- impaciente;
- precipitada;
- infantil;
- carinhosa;
- divertida; 
- atenciosa;
- apaixonada;
- em desenvolvimento.

E que este processo de desenvolvimento dure muitos mais anos, é sempre um bom sinal quando isso acontece. 

Espero também que haja um desenvolvimento no geral: que se acabe com o pressuposto de que a mulher é mais fraca (física e psicologicamente) do que o homem, que haja igualdade em termos de oportunidades profissionais e que as próprias mulheres não façam de si próprias objectos insignificantes.



terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O bom do cinema

Quando vim viver para Lisboa, passei a ficar sozinha durante as folgas semanais. Não tinha paciência para ir a Cascais, nem vontade de passear pela Costa, quanto mais meter-me no comboio para Sintra...
Na altura em que tinha o meu part-time ligado à música, acordava tarde, comia qualquer coisa, arranjava-me e ia para o metro para apanhar boleia (era a melhor parte do meu dia - rir, rir e mais rir, felicidade no seu estado mais simples). Depois comia qualquer coisa e ensaiava até tarde, mas a horas decentes para sair e ir beber um copo com amigos e rir mais um bocado.
Quando deixei este trabalho, tudo desapareceu - as boleias, as tardes a rir, os momentos mais divertidos, as noites ocupadas e os copos no final. 
Foi por isso que, no meio de uma espécie de depressão pós-demissão (é sempre difícil quebrar uma rotina, quanto mais quando vinha com tantos extras), decidi recorrer ao cinema. À tarde, a seguir ao jantar, à meia-noite. Eu já era fã de uma boa ida ao cinema, mas agora estou a voltar a ter noção do que já me tinha esquecido - que há coisas que se devem aproveitar, que nos ajudam a esquecer as amarguras e que sem elas a vida perde grande parte do seu interesse. 
Há quem diga que uma ida ao cinema é tão importante quanto uma sessão no psicólogo. Eu acho que é ainda melhor.
Viva o cinema! E que venham os Óscares, uma das melhores noites de trabalho!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A minha liberdade já acabou? Não faço ideia…

“A minha liberdade termina quando começa a dos outros”. Fartei-me de ouvir isto nos últimos dias, após o atentado à redacção do Charlie Hebdo. Ora bem… O que raio quer isto dizer? Colocaram esta questão durante o programa Governo Sombra e confesso que fiquei a pensar durante um bom bocado. Conclusão: Não faço ideia onde começa e acaba a minha, por isso peço desculpa se continuei a usufruir da minha liberdade depois desta ter terminado. Comecem a delinear melhor a coisa e pode ser que as pessoas não se percam pelo caminho e invadam a liberdade do vizinho.



Não consigo entender as afirmações de algumas pessoas. “Tens liberdade de expressão, não podes é ofender”. Tal como Ricardo Araújo Pereira disse no programa “não acho bem que se insulte, acho é que insultar deve ser permitido”.

Podem viver num mundo sem crítica, sem caricaturas, sem ironia, sem opiniões, onde não se pode fazer piadas sobre Fátima e alguns se sentem ofendidos com a construção de bonecos de neve (a sério, é visto na Arábia Saudita como uma prática anti-islâmica. Ora vejam). Eu cá não acho piada nenhuma a esse mundo, por isso gostava que continuassem a poder fazer piadas sobre os assuntos ‘tabu’ e pouco explorados.

Posso não achar muita graça (como acho o Nilton muito fraquinho, por exemplo, e sou louca pelo Conan O’Brien. Como adoro o Kramer do Seinfeld, mas achei as tiradas do Michael Richards sobre os negros muito infelizes) e apontar uma certa falta de gosto, mas isso não faz com que tenha o direito de calar quem quer que seja.


Continuem a desenhar e a escrever. Muitos vão detestar, mas outros agradecem.