domingo, 4 de janeiro de 2015

Querer ou não querer

Tenho uma amiga chamada Madalena. A Madalena é das pessoas mais interessantes que conheço, mas é também uma pessoa muito indecisa. Passa a vida a sorrir e a ser simpática com os outros, mas quando desabafa percebe-se que vive com uma série de conflitos interiores.

Há uns tempos convidei a Madalena para ir sair. 

Ficou entusiasmadíssima! Começou a dizer que tinha uns saltos novos para estrear e um novo rímel para usar. Estava tudo decidido: Hora, local, transporte e companhias. Mas, pouco antes da hora marcada, mandou-me uma mensagem a dizer que não estava com vontade de sair de casa. Perguntei-lhe o que se passava e a resposta foi: “Nada, não si porquê, mas não me apetece”.

Mesmo assim, obriguei-a a sair de casa para ir beber um copo. A verdade é que meia hora depois de termos entrado no bar (e ainda a meio de um martini) a Madalena já estava cheia de vontade de ir para uma discoteca e ficar a dançar até às tantas.

Basicamente, a Madalena sente que precisa de um ‘empurrãozinho’, mas não gosta de o admitir a ninguém. Nem às pessoas mais próximas. Este ‘querer ou não querer’ é uma constante na sua vida. Deseja loucamente fazer algo, mas quando chega a altura de o fazer, não consegue. Sente uma falta de entusiasmo súbita, um desmoronar inexplicável que a leva a isolar-se sem que haja razões para isso.

É difícil lidar com a Madalena. Tanto é a pessoa mais extrovertida do mundo, como se ‘fecha em copas’ sem revelar nada. O que eu sei é que é preciso ‘puxar’ por ela. Não só para ir sair, mas para fazer programas diferentes, conhecer pessoas e sítios, fazer algo que não pertença à rotina. Assim que se ‘puxa’ por ela, a diversão está garantida.


Por isso, se têm amigas assim, não aceitem um ‘não’. Acreditem, elas agradecem.

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