segunda-feira, 16 de março de 2015

E se os outros fossem parvos?

Aplaudiam só para fazerem barulho.

Gritavam só para parecerem mais fortes.

Grunhiam só para provocar.

Corriam só para mostrar que conseguem.

Riam só para mostrar que percebem.

Falavam só para mostrar que existem.

domingo, 8 de março de 2015

Sou uma mulher...

- mandona;
- refilona;
- vaidosa;
- orgulhosa;
- teimosa;
- impaciente;
- precipitada;
- infantil;
- carinhosa;
- divertida; 
- atenciosa;
- apaixonada;
- em desenvolvimento.

E que este processo de desenvolvimento dure muitos mais anos, é sempre um bom sinal quando isso acontece. 

Espero também que haja um desenvolvimento no geral: que se acabe com o pressuposto de que a mulher é mais fraca (física e psicologicamente) do que o homem, que haja igualdade em termos de oportunidades profissionais e que as próprias mulheres não façam de si próprias objectos insignificantes.



terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O bom do cinema

Quando vim viver para Lisboa, passei a ficar sozinha durante as folgas semanais. Não tinha paciência para ir a Cascais, nem vontade de passear pela Costa, quanto mais meter-me no comboio para Sintra...
Na altura em que tinha o meu part-time ligado à música, acordava tarde, comia qualquer coisa, arranjava-me e ia para o metro para apanhar boleia (era a melhor parte do meu dia - rir, rir e mais rir, felicidade no seu estado mais simples). Depois comia qualquer coisa e ensaiava até tarde, mas a horas decentes para sair e ir beber um copo com amigos e rir mais um bocado.
Quando deixei este trabalho, tudo desapareceu - as boleias, as tardes a rir, os momentos mais divertidos, as noites ocupadas e os copos no final. 
Foi por isso que, no meio de uma espécie de depressão pós-demissão (é sempre difícil quebrar uma rotina, quanto mais quando vinha com tantos extras), decidi recorrer ao cinema. À tarde, a seguir ao jantar, à meia-noite. Eu já era fã de uma boa ida ao cinema, mas agora estou a voltar a ter noção do que já me tinha esquecido - que há coisas que se devem aproveitar, que nos ajudam a esquecer as amarguras e que sem elas a vida perde grande parte do seu interesse. 
Há quem diga que uma ida ao cinema é tão importante quanto uma sessão no psicólogo. Eu acho que é ainda melhor.
Viva o cinema! E que venham os Óscares, uma das melhores noites de trabalho!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A minha liberdade já acabou? Não faço ideia…

“A minha liberdade termina quando começa a dos outros”. Fartei-me de ouvir isto nos últimos dias, após o atentado à redacção do Charlie Hebdo. Ora bem… O que raio quer isto dizer? Colocaram esta questão durante o programa Governo Sombra e confesso que fiquei a pensar durante um bom bocado. Conclusão: Não faço ideia onde começa e acaba a minha, por isso peço desculpa se continuei a usufruir da minha liberdade depois desta ter terminado. Comecem a delinear melhor a coisa e pode ser que as pessoas não se percam pelo caminho e invadam a liberdade do vizinho.



Não consigo entender as afirmações de algumas pessoas. “Tens liberdade de expressão, não podes é ofender”. Tal como Ricardo Araújo Pereira disse no programa “não acho bem que se insulte, acho é que insultar deve ser permitido”.

Podem viver num mundo sem crítica, sem caricaturas, sem ironia, sem opiniões, onde não se pode fazer piadas sobre Fátima e alguns se sentem ofendidos com a construção de bonecos de neve (a sério, é visto na Arábia Saudita como uma prática anti-islâmica. Ora vejam). Eu cá não acho piada nenhuma a esse mundo, por isso gostava que continuassem a poder fazer piadas sobre os assuntos ‘tabu’ e pouco explorados.

Posso não achar muita graça (como acho o Nilton muito fraquinho, por exemplo, e sou louca pelo Conan O’Brien. Como adoro o Kramer do Seinfeld, mas achei as tiradas do Michael Richards sobre os negros muito infelizes) e apontar uma certa falta de gosto, mas isso não faz com que tenha o direito de calar quem quer que seja.


Continuem a desenhar e a escrever. Muitos vão detestar, mas outros agradecem.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Querer ou não querer

Tenho uma amiga chamada Madalena. A Madalena é das pessoas mais interessantes que conheço, mas é também uma pessoa muito indecisa. Passa a vida a sorrir e a ser simpática com os outros, mas quando desabafa percebe-se que vive com uma série de conflitos interiores.

Há uns tempos convidei a Madalena para ir sair. 

Ficou entusiasmadíssima! Começou a dizer que tinha uns saltos novos para estrear e um novo rímel para usar. Estava tudo decidido: Hora, local, transporte e companhias. Mas, pouco antes da hora marcada, mandou-me uma mensagem a dizer que não estava com vontade de sair de casa. Perguntei-lhe o que se passava e a resposta foi: “Nada, não si porquê, mas não me apetece”.

Mesmo assim, obriguei-a a sair de casa para ir beber um copo. A verdade é que meia hora depois de termos entrado no bar (e ainda a meio de um martini) a Madalena já estava cheia de vontade de ir para uma discoteca e ficar a dançar até às tantas.

Basicamente, a Madalena sente que precisa de um ‘empurrãozinho’, mas não gosta de o admitir a ninguém. Nem às pessoas mais próximas. Este ‘querer ou não querer’ é uma constante na sua vida. Deseja loucamente fazer algo, mas quando chega a altura de o fazer, não consegue. Sente uma falta de entusiasmo súbita, um desmoronar inexplicável que a leva a isolar-se sem que haja razões para isso.

É difícil lidar com a Madalena. Tanto é a pessoa mais extrovertida do mundo, como se ‘fecha em copas’ sem revelar nada. O que eu sei é que é preciso ‘puxar’ por ela. Não só para ir sair, mas para fazer programas diferentes, conhecer pessoas e sítios, fazer algo que não pertença à rotina. Assim que se ‘puxa’ por ela, a diversão está garantida.


Por isso, se têm amigas assim, não aceitem um ‘não’. Acreditem, elas agradecem.

PS: Quase três anos depois, voltei a este texto. A Madalena não existe. A Madalena foi a personagem que criei para mostrar como me sentia. Ninguém reparou no estado em que eu estava e eu tentei esconder durante muito tempo. Mas a tampa saltou e a sopa transbordou. Vou voltar a escrever sobre o assunto mais tarde.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Bom ano!

Concretizei metade dos desejos que pedi há um ano… e não comi as passas!

Foi um ano cheio de mudanças. Umas boas e outras más.

Mantive amigos, recuperei uns e perdi outros.

Continuei a trabalhar com pessoas espectaculares, a sentir saudades de alguns com quem trabalhei e a rezar para que outros continuem bem longe.

Dediquei-me a 200% ao meu full-time e perdi o meu part-time.

Tive que pedir desculpa várias vezes, mas sei que ainda existem alguns que me devem um pedido de desculpa.

Arranjei casa em Lisboa, fiquei contente por conseguir a minha independência, mas com saudades dos meus pais e dos meus irmãos.


Havia muitas outras coisas que podiam ser referidas, mas não vale a pena maçar mais quem lê estas linhas. O que interessa é desejar um bom 2015 a todos os leitores! Que os vossos desejos se realizem… de preferência, sem passas J

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Está prestes a cair o pano

Para quem não tiver nada que fazer no fim-de-semana, aqui fica uma sugestão.

Sim, sou suspeita. Dirijo este coro há sete anos. Infelizmente chegou a altura de o deixar. Este será o último espectáculo que farei com eles.

Às vezes é preciso ter noção de quando chegou a altura de abandonar as coisas. Não só por nós, mas também pelos outros.

Quando não nos sentimos bem no sítio onde estamos ou com coisas exteriores à questão em particular, acabamos por transparecer isso e afectar os que nos rodeiam. Mas essa não pode ser a posição de quem lidera. Independentemente do que esteja a acontecer fora do local de trabalho, é necessário manter a postura, o optimismo, a compreensão pelo outro e a paciência.

Vou ter muitas saudades dos meus companheiros de grupo, de pessoas que conheci lá e de outras com quem criei uma relação especial. Foram sete anos muito ricos, cheios de coisas boas e más, com os quais aprendi muito.

E agora termino ‘em grande’ (espero) com o musical infantil ‘O Mundo da Fantasia’. Realiza-se no sábado dia 6 (21h30) e domingo dia 7 (17h00) na Sociedade Filarmónica Boa União Montelavarense, em Montelavar, Sintra. Para quem gosta das bandas sonoras da Disney, não há melhor que isto!


Fica a dica, contamos com todos.